Evento marcou o encerramento do Agosto Lilás
A Faculdade Republicana, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), realizou, no dia 31 de agosto, o II Ciclo de Palestras dos Conselhos Comunitários de Segurança – Asa Sul, marcando o encerramento do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Realizado no Auditório José Alencar, na sede da instituição, o encontro reuniu representantes da SSP-DF, da Polícia Militar e da Polícia Civil, além de estudantes dos cursos de Direito e Ciência Política. A programação abordou a prevenção da violência doméstica, as medidas protetivas de urgência, o acolhimento às vítimas e a atuação integrada das instituições de segurança pública.
Integração entre segurança pública e academia
O subsecretário dos Conselhos Comunitários de Segurança (SUB-Conseg), coronel Gustavo Danzmann, destacou a importância da aproximação entre as instituições de segurança pública e o ambiente acadêmico para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes.
“É extremamente importante integrar a segurança pública à academia. Entendemos que isso faz parte de uma segurança integral, que busca conhecer, criar condições, estabelecer e fomentar políticas públicas mais estruturantes e sustentáveis”, afirmou.
O coronel também ressaltou a participação dos estudantes de Direito e Ciência Política, que tiveram a oportunidade de conhecer experiências práticas e compreender os desafios enfrentados pelos profissionais que atuam diretamente na proteção da população.
Danzmann explicou que o ciclo de palestras integra o eixo Mulher Protegida, inserido em uma política mais ampla denominada Mulher Mais Segura. Segundo ele, a iniciativa percorreu cinco cidades e alcançou mais de 1.500 pessoas no ano anterior, promovendo informações e debates sobre políticas públicas de segurança.
Prevenção começa pelo reconhecimento da violência
A secretária executiva Regilene Siqueira chamou a atenção para a importância de reconhecer comportamentos violentos que, muitas vezes, são naturalizados nas relações cotidianas. “O grande erro da violência contra a mulher é normalizar as microviolências. Tudo começa na piadinha sem graça, no xingamento. Nada disso tem que se admitir”, alertou.
Para Regilene, levar essa discussão ao ambiente universitário é fundamental para ampliar a consciência dos futuros profissionais sobre as diferentes manifestações da violência. “A ideia é fazer com que todos entendam a violência, como ela se manifesta, para que a gente não normalize”, explicou, agradecendo à Faculdade Republicana por abrir suas portas para o debate.
Durante sua participação, a secretária executiva também apresentou resultados do programa Viva Flor, voltado à proteção de mulheres em situação de violência doméstica, destacando o crescimento do número de beneficiárias, que passou de aproximadamente 200, em 2022, para mais de 2.200. “É sinal de que o Estado está chegando onde tem que chegar”, comemorou.
Atuação policial e proteção às vítimas
A delegada-chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II (DEAM II), Simone Ferreira de Alencar, também participou da programação, apresentando um panorama dos casos atendidos pela unidade especializada.
A participação da Polícia Civil contribuiu para aproximar os estudantes da realidade do enfrentamento à violência doméstica e da atuação das instituições responsáveis pela investigação desses crimes.
O ciclo de palestras também contemplou a atuação da Polícia Militar no acompanhamento de mulheres em situação de risco, os mecanismos de proteção disponíveis e a importância das medidas protetivas de urgência na prevenção de novas agressões.
Formação acadêmica conectada aos desafios da sociedade
Para a Faculdade Republicana, receber o evento representou uma oportunidade de fortalecer o diálogo entre o ensino superior e as instituições responsáveis pela formulação e execução de políticas públicas.
O professor e coordenador do curso de Ciência Política, Fábio Vidal, destacou a relevância da iniciativa para a formação acadêmica e para o enfrentamento da violência de gênero. “Ficamos muito felizes em receber esse evento e ver que, no âmbito do Distrito Federal, estamos preparados para enfrentar a violência contra as mulheres. Foi um momento extremamente importante para nós, como instituição de ensino superior”, afirmou.
Entre os estudantes, o encontro também despertou reflexões sobre a responsabilidade dos futuros profissionais na defesa dos direitos das mulheres.
Tema presente no dia a dia
A estudante de Direito Renata Lopes destacou a qualidade dos debates e compartilhou como a temática também está presente em sua realidade pessoal.
“É um tema delicado. Pessoas muito importantes e bem qualificadas para tratar do assunto estiveram hoje conosco. Não é um tema fácil. Recentemente, tive uma pessoa próxima que foi vítima desse tipo de situação”, relatou.
A experiência reforçou na estudante o desejo de contribuir profissionalmente para o enfrentamento da violência contra a mulher. “Daqui a uns quatro anos, quando eu já estiver atuando, vou trabalhar muito para combater isso”, declarou.
Ao promover o encontro, a Faculdade Republicana reafirmou seu compromisso com uma formação que ultrapassa os limites da sala de aula, aproximando os estudantes dos desafios reais da sociedade e incentivando o desenvolvimento de profissionais conscientes de seu papel na promoção dos direitos humanos e na construção de políticas públicas mais eficazes.

