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Correio Braziliense: em entrevista, professores da Republicana analisam desafios da representatividade negra na política do DF

16/10/2026
21/10/2026
Evelyn Apolinaria e Fábio Vidal destacaram as barreiras estruturais que dificultam o acesso da população negra ao Poder Legislativo

Evelyn Apolinaria e Fábio Vidal destacaram as barreiras estruturais que dificultam o acesso da população negra ao Poder Legislativo

Os professores da Faculdade Republicana Evelyn Apolinaria e Fábio Vidal foram ouvidos pelo jornal Correio Braziliense em reportagem publicada no dia 16 de outubro, que abordou os desafios da representatividade negra no Poder Legislativo do Distrito Federal. Os especialistas analisaram os fatores sociais, econômicos e políticos que contribuem para a baixa presença de pessoas negras nos espaços de decisão.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentados pela reportagem, 60,88% do eleitorado do DF é formado por pessoas pretas e pardas. Entretanto, dos 34 parlamentares eleitos em 2026 para a Câmara Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal, apenas 11 se autodeclaram negros, o equivalente a 32,35% das vagas.

Para a cientista política Evelyn Apolinaria, coordenadora-geral do Observatório do Congresso, a disparidade resulta de uma combinação de barreiras estruturais, incluindo a concentração de renda, as desigualdades territoriais e os critérios adotados pelos partidos políticos na distribuição de recursos e na escolha de candidaturas.

A professora destacou que o financiamento eleitoral e a visibilidade política favorecem candidatos que já possuem maior estrutura, dificultando a competitividade de lideranças negras, especialmente aquelas oriundas das regiões periféricas do Distrito Federal.

O professor Fábio Vidal, cientista político, mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e autor da dissertação A raça na casa do povo, também apontou o racismo estrutural como um dos principais fatores que explicam a desigualdade na representação política.

Em sua análise, Vidal ressaltou que o problema não está necessariamente na ausência de candidaturas negras ou de apoio eleitoral, mas nas condições desiguais de participação na disputa.

"A diferença entre os 60,88% de pretos e pardos no eleitorado e as 11 cadeiras ocupadas por parlamentares negros não se explica por falta de candidatos nem por falta de votos", afirmou o professor ao Correio Braziliense.

O pesquisador também chamou a atenção para os obstáculos relacionados ao financiamento das campanhas, à fiscalização da autodeclaração racial dos candidatos e à distribuição tardia de recursos partidários.

Entre as medidas defendidas pelos especialistas estão o fortalecimento da transparência no financiamento eleitoral, a ampliação da participação de pessoas negras nas estruturas partidárias e a adoção de mecanismos que garantam condições mais equilibradas de disputa.

As análises dos docentes contribuem para o debate público sobre a representatividade política e os desafios para ampliar a participação de diferentes segmentos da sociedade nas instituições democráticas.

Leia a reportagem completa: Representatividade negra no Poder Legislativo é um desafio no DF — Correio Braziliense.

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